domingo, 13 de julho de 2008

O Escafandro e a Borboleta

O valor da vida é uma unidade de medida que poucos conseguem mensurar com perfeição ao longo de sua caminhada. Ficam arrependimentos, projetos inacabados, palavras soltas e palavras mudas. Sempre sobra uma aresta, um passo em falso e uma agonia mórbida. É desta reconstrução e valorização que Jean-Dominique Bauby nos fala.

Em O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre Et le Papillon, França, 2007 ) diretor (Julian Schnabel) e roteirista (Ronald Harwood) conseguiram assimilar bem o mundo em que Bauby estava recluso. De maneira brilhante, seus sentimentos e angústias passam a transbordar da tela. A cada piscada e a cada lágrima que embaça a nossa visão.

Jean-Dominique (Mathieu Amalric, de "Munique") é um jornalista renomado, editor da revista “Elle”. Gozava a vida com liberdade, ateísmo e grandes paixões. De repente, em um virar de segundo, um AVC toma-lhe a vida. Tranca-o em um escafandro, não pode se mexer, falar, se alimentar ou respirar. Tem, no entanto, uma borboleta (sua mente, que funciona com perfeição) para libertar-se. Com ela consegue imaginar e voar para qualquer parte do mundo, até para lugares desconhecidos. O exterior – real e concreto – percebe apenas com seu olho esquerdo, que com uma piscada (sim), ou duas piscadas (não), constrói a sua comunicação. É assim que ele “escreve” o livro homônimo no qual o filme se baseia. Através de um quadro com as letras mais utilizadas, ele ouve, escolhe e vai formando suas palavras, frases e capítulos.

Mais que um apelo de um pai de dois filhos à valorização da vida, O Escafandro e a Borboleta dá um show na utilização da linguagem cinematográfica mais adequada ao entendimento de todo o sofrimento do jornalista. Ao utilizar-se da câmera subjetiva, que através do olho esquerdo mostra-nos não só as cenas, mas a “prisão” em que Bauby está recluso, o filme chama-nos não para assistir, mas para sentir o drama de sua vida. Harmonicamente equilibrado, com trilha sonora precisa e cortes perfeitos, as tomadas passam cada sensação de Bauby: seja a liberdade dos cabelos avoaçados ao vento ou a tristeza, no choro de uma lágrima que anuvia a tela.
Em Exibição na Sala:

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sex And The City


Um convite às damas. O sonho e o deleite de grande parte do público feminino... Moda, luxo, liberdade, casamento e filhos... São com estes ingredientes básicos que Sexo e a Cidade (Sex And The City, EUA - 2008) faz um convite ao gosto e à atenção das mulheres. A cada personagem na tela, elas escolhem as características que mais combinam com sua própria personalidade... E se divertem!

Aos homens podem parecer simples tolices do sexo oposto. Irão torcer o nariz e fazer careta. Mas ao final, acabam caindo nas graças das cômicas aventuras encenadas por quatro amigas: Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), Charlotte York (Kristin Davis), Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) e Samantha Jones (Kim Cattrall).

Baseado na série de sucesso da HBO, que em seis temporadas produziu 94 capítulos, Sex And The City mostra uma preocupação sempre presente no universo feminino: o casamento. Agora na casa dos quarenta anos, as conversas e reuniões das quatro amigas giram em torno do dilema matrimonial, que, com a decisão de enlace entre Carrie e Mr. Big (Chris Noth), transforma-se no foco de análise e reflexões. Se para Carrie a simples decisão de casar-se ocupa todas as suas atividades, fazendo com que organize uma festa além das expectativas de seu noivo; para Miranda é um simples passo em falso, pois acaba de se decepcionar com seu marido. Já para Charllote, o casamento vai a mil maravilhas, ficando ainda mais excitante com a sonhada visita da cegonha. Samantha, a amiga que já se encontra nos cinqüenta, nem quer ouvir essa palavra... A regra é dedicar-se mais a si mesmo, e nessa proposta, até um relacionamento duradouro de cinco anos será posto a prova.

O filme pode conquistar o humor do público de ambos os sexos, no entanto perde um pouco ao abdicar de um roteiro mais sustentável, que valorizasse os paradigmas sobre sexo e liberdades femininas que a série levou a público e assim garantiu sucesso. Talvez por ter que construir “início” e “fim” de dilemas femininos em apenas 2 horas, o diretor Michael Patrick King (que também dirigiu a série) concentrou-se em dramas específicos (casamento, casa e filhos) e em artifícios de apreensão da atenção: moda, luxo e diversão em excesso. O desenlace da trama parece uma tentativa apressada de colocar os pontos nos “is” e trazer felicidade antes da passagem do elenco. No entanto, as tiradas de Samantha Jones e as engraçadas situações construídas pelas quatro amigas acabam segurando o filme e conquistando o público.


Em exibição nas salas:


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Eu Sou A Lenda


A despeito dos grandes vilões que a sétima arte já consagrou, aqueles que mais nos preocupam ou causam pavor são os que mais se aproximam da realidade. E nada tão concreto e próximo quanto uma doença, algo que atinja o corpo em silêncio. Em “Eu Sou A Lenda” (I am Legend, EUA, 2007), a descoberta da cura do câncer é revelada no início do filme por um canal de jornalismo, da forma que todos nós, hoje, gostaríamos de assistir. Mas o enredo da trama mostra que a intervenção humana, imitando o poder divino, pode causar estragos nunca pensados.

No filme, a glória da descoberta de uma “cura” para o câncer é transformada em um erro que pode levar ao extermínio da raça humana. A manipulação genética do vírus do sarampo, que o transformaria em agente de combate às células cancerígenas, acaba por provocar uma mutação. Este novo vírus passa a atacar o corpo humano de forma devastadora, matando-o ou destruindo as características humanas, transformando-nos em criaturas-zumbis. Em 2009 inicia-se a contaminação e a dizimação quase que total da população da Terra, restando apenas poucos imunes que se refugiaram dos ataques das novas criaturas.

Já em 2012, Dr. Robert Neville (Will Smith) é um sobrevivente que, após o aprendizado dos hábitos e necessidades dos humanóides (aversão a luz, conduta de bando), passa o dia pesquisando a cura contra o vírus – em um laboratório subterrâneo em sua casa – ou minando a fonte de alimento desses seres. Sua única companhia é uma cadela, Samantha. Pra não enlouquecer na ilha “completamente” deserta, Dr. Neville passa a conversar e paquerar os manequins que encontra pelas lojas, assemelhando-se à estratégia adotada pelo “Náufrago”.

Em sua batalha diária, quase perto do desespero, Robert é salvo por Anna (Alice Braga), que em participação notável ajuda o cientista a decidir sobre o futuro da humanidade. Aí é questionada e reafirmada a fé e a participação divina na vida da raça humana.

Francis Lawrence consegue trazer para a lenda de Richard Matheson (livro publicado em 1954) uma visão cheia de elementos modernos que conseguem prender a atenção do público. A utilização de flash-backs explica ao telespectador o que houve em 2009 com uma mistura de sonhos e lembranças, que são elucidadas gradativamente com diálogos enxutos e precisos. Lawrence parece que aprendeu bem fazer adaptações para filmes, apesar de sua estréia com “Constantine” não ter sido aclamada. O cômico do filme fica por parte da citação ao álbum Legend de Bob Marley, que na trilha sonora, em todo o filme, afirma que “tudo irá ficar bem”, em contraposição ao caos que se instalou na ilha de Manhattan.


Hoje, em exibição nas salas:





segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Indicados ao Oscar


Bom, em homenagem ao filme "A volta dos que Não Foram", estou ressuscitando o Blog!!!

Primeiro deixo à disposição a lista completa dos filmes indicados ao Oscar 2008. O filme " O ano em que meus pais saíram de férias", o concorrente barasileiro à indicação, ficou de fora da disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro. A cerimônia de premiação acontecerá dia 24 de fevereiro. Logo logo novas postagens virão!! Obrigado por acessarem!! Assistam os filmes!

Indicados ao Oscar:

Melhor filme:
- “Juno”

- “Onde os fracos não têm vez”
- “Sangue negro”
- “Desejo e reparação”
- “Conduta de risco”

Melhor diretor:
- Julian Schnabel (“O escafandro e a borboleta”)

- Joel e Ethan Coen (“Onde os fracos não têm vez”)
- Tony Gilroy (“Conduta de risco”)
- Jason Reitman (“Juno”)
- Paul Thomas Anderson (“Sangue negro”)

Melhor ator:
- Daniel Day-Lewis (“Sangue negro”)

- Johnny Depp (“Sweeney Todd – o barbeiro demoníaco da Rua Fleet”)
- George Clooney (“Conduta de risco”)
- Tommy Lee Jones (“No vale das sombras”)
- Viggo Mortensen (“Senhores do crime”)

Melhor ator coadjuvante:
- Javier Bardem (“Onde os fracos não têm vez”)

- Tom Wilkinson (“Conduta de risco”)
- Hal Holbrook (“Na natureza selvagem”)
- Casey Affleck (“O assassinato de Jesse James”)
- Philip Seymour Hoffman (“Jogos do poder”)

Melhor atriz:
- Julie Christie (“Longe dela”)

- Marion Cotillard (“Piaf – um hino ao amor”)
- Ellen Page (“Juno”)
- Cate Blanchett (“Elizabeth – the golden age”)
- Laura Linney (“The savages”)

Melhor atriz coadjuvante:
- Cate Blanchett (“Não estou lá”)

- Amy Ryan (“Medo da verdade”)
- Saoirse Ronan (“Desejo e reparação”)
- Tilda Swinton (“Conduta de risco”)
- Ruby Dee (“O gângster”)

Melhor longa de animação:
- “Ratatouille”

- “Persépolis”
- “Tá dando onda”

Melhor filme em língua estrangeira:
- “The counterfeiters”, de Stefan Ruzowitzky (Áustria)

- “Beaufort”, de Joseph Cedar (Israel)
- “Mongol”, de Sergei Bodrov (Cazaquistão)
- “Katyn”, de Andrzej Wajda (Polônia)
- “12”, de Nikita Mikhalkov (Rússia)

Melhor roteiro original:
- “Juno” - “The savages”

- ”Ratatouille”
- “Conduta de risco
- “Lars and the real girl”

Melhor roteiro adaptado:
- “O escafandro e a borboleta”

- “Onde os fracos não têm vez”
- “Desejo e reparação”
- “Longe dela”
- “Sangue negro”

Melhor direção de arte:
- “O gângster”

- “Desejo e reparação”
- “A bússola de ouro”
- “Sweeney Todd – o barbeiro demoníaco da rua Fleet”
- “Sangue negro”

Melhor fotografia:
- “O assassinato de Jesse James...”

- “Desejo e reparação”
- “O escafandro e a borboleta”
- “Onde os fracos não têm vez”
- “Sangue negro”

Melhor mixagem de som:
- “O ultimato Bourne”

- “Onde os fracos não têm vez”
- “Ratatouille”
- “3:10 to Yuma”
- “Transformers”

Melhor edição de som:
- “O ultimato Bourne”

- “Ratatouille”
- “Onde os fracos não têm vez”
- “Sangue negro”
- “Transformers”

Melhor trilha sonora original:
- Dario Marianeli (“Desejo e reparação”)

- Alberto Iglesias (“O caçador de pipas”)
- Marco Beltrami (“3:10 to Yuma”)
- James Newton Howard (“Conduta de risco”)
- Michael Giacchino (“Ratatouille”)

Melhor canção original:
- “Falling slowly”, de Glen Hansard e Marketa Irglova (“Once”)

- “Happy working song”, de Alen Menken e Stephen Schwartz (“Encantada”)
- “Raise it up”, autor a ser determinado (“August rush”)
- “So close”, de Alan Menken e Stephen Schwartz (“Encantada”)
- “That’s how you know”, de Alan Menken e Stephen Schwartz (“Encantada”)

Melhor figurino:
- “Across the universe”

- “Desejo e reparação”
- “Elizabeth: a era de ouro”
- “Piaf – um hino ao amor”
- “Sweeney Todd – o barbeiro demoníaco da rua Fleet”

Melhor documentário
- “No end in sight”

- “Operation homecoming”
- “SOS saúde”
- “Taxi to the dark side”
- “War/dance”

Melhor documentário de curta-metragem
- “Freeheld”

- “La corona”
- “Salim Baba”
- “Sari’s mother”

Melhor edição
- “O ultimato Bourne”

- “O escafandro e a borboleta”
- “Na natureza selvagem”
- “Onde os fracos não têm vez”
- “Sangue negro”

Melhor maquiagem:
- “Piaf – um hino ao amor”

- “Norbit”
- “Piratas do Caribe – no fim do mundo”

Melhor animação de curta-metragem
- “I met the Walrus”

- “Madame Tutli-Putli”
- “Meme lês pigeons vont au paradis”
- “My love”
- “Peter and the wolf”

Melhor curta-metragem:
- “At night”

- “Il supplente”
- “Le Mozart des pickpockets”
- “Tanghi argentini”
- “The tonto woman”

Melhor efeito especial:
- “A bússola de ouro”

- “Piratas do Caribe – no fim do mundo”
- “Transformers”

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A Corrida Pelo Oscar!!

Da Reuters

O filme "Onde os Fracos Não Têm Vez", dos irmãos Joel e Ethan Cohen, foi considerado na quarta-feira o melhor filme de 2007 pela Comissão Nacional de Resenhas da Motion Pictures (entidade que reúne produtoras de cinema dos EUA), dando a largada na temporada do Oscar.

George Clooney ganhou o prêmio de melhor ator, por "Michael Clayton", e Julie Christie foi a melhor atriz, por "Longe Dela".


Tim Burton foi eleito o melhor diretor, por "Sweeney Todd", em que os protagonistas são a esposa dele, Helena Bonham Carter, e Johnny Depp.

Amy Ryan recebeu o prêmio de atriz coadjuvante por "Medo da Verdade", de Ben Affleck, escolhido como melhor diretor estreante. Seu irmão Casey Affleck recebeu o prêmio de melhor ator coadjuvante, por "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford".

"Le scaphandre et le papillon", de Julian Schnabel, foi escolhido como melhor filme estrangeiro. "Body of War" venceu na categoria documentário, e "Ratatouille" foi a melhor animação.

"Juno" e "Lars and the Real Girl" dividiram o prêmio de melhor roteiro original. "Onde os Fracos..." levou os prêmios de roteiro adaptado e pelo conjunto do elenco.

Emile Hirsch ("Into the Wild") e Ellen Page ("Juno") ganharam prêmios pelas interpretações.

Michael Douglas, Oscar de melhor ator por "Wall Street -- Poder e Cobiça" (1988), recebeu um prêmio pelo conjunto da carreira.

Esse prêmio pode servir de indicação para o que esperar do Oscar, principal honraria da indústria, que é entregue em fevereiro.

Mostra de Vídeo em São Lázaro

Surpreendente, instigante, emocionante. Assim é considerado o filme "11.09.01", que será exibido amanhã (7), às 13h30m, na sala 8 da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA (FFCH), em São Lázaro.


A produção de 11 diretores de países diferentes apresenta diversos ângulos dos episódios do 11 de setembro, nos EUA. Após a exibição, o professor Antonio Câmara (FFCH) faz palestra seguida de debate. "11.09.01" encerra o I Ciclo de Cinema e Filosofia, que apresentou também "O sétimo selo" e "Laranja mecânica".


O programa retorna em março. Entrada gratuita. Apoio da Livraria LDM e da videolocadora Case de Cinema.


Mais informações: waldojsf@ufba.br .


Fonte: Site da Ufba.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Antes Só do Que Mal Casado

Os irmãos Bobby e Peter Farelly têm se acostumado a fazer comédias que beiram o romântico, no entanto acabam se perdendo em piadas sobre minorias e que revelam situações constrangedoras. Seu "clássico" de sucesso é "Quem Vai Ficar com Mary" que alcançou o grande público e lançou Ben Stiller neste gênero que tanto os agradam.

Em Antes Só do que Mal Casado (The Heartbreak Kid, EUA - 2007) os irmãos conseguem criar o mesmo ambiente cômico de "O Amor é Cego", com piadas de conotação sexual e duvidosas tangenciadas pelo "politicamente correto". O filme na verdade é uma refilmagem de "O Rapaz Que Partia Corações", de 1972, mas a "nacionalização" de títulos coloca no esquecimento a história e a origem de cada filme.


No longa, Ben Stiller é "Eddie Cantrow", dono de uma loja de artigos esportivos que percebe, em mais um casamento, que ele é o único quarentão da turma que está solteiro . Junto a sua sensação de solidão soma-se a pressão do pai, Doc (Jerry Stiller), e de seu amigo, Mac (Rob Corddry), para que ele se case e assim siga o ciclo natural da vida. Sendo convencido pelos "fatos", Eddie descobre, em um encontro casual com Lila (Malin Akerman), que essa poderia ser a chance para entrar para o grupo dos casados. Após 6 semanas, casa-se e vai passar a lua de mel em um resort do caribe, no México.


Já na viagem começa a descobrir os problemas de um casamento precipitado. Lila é um pesadelo como mulher: desequilibrada, afundada em dívidas, sem renda própria, possui um desvio no septo nasal que é consequência de seu antigo vício em cocaína e ainda por cima ronca! Tudo o que um pacato e inocente empresário não conseguiria aturar. Mas para a surpresa de Cantrow, no hotel em que ficou hospedado, ele encontra alguém com quem valha a pena casar-se. Michelle Monaghan é "Miranda", com quem descobre as afinidades que os levam a se apaixonar. Porém, existe um empecilho ao amor dos dois... Eddie é recém casado! A partir desse mote o filme se desenvolve e descobre nesta situação um clima propício para as sátiras e as piadas que constrói o ambiente cômico do enredo.


O filme vai muito bem até seu ponto de clímax: a hora da revelação. A partir de então os irmãos "perdem a mão" e criam uma situação confusa e constrangedora pra seus telespectadores. O momento exato para darem pitadas de romantismo ao filme é ignorado e com isso a aceitação do público fica prejudicada. Assim, The Heartbreak Kid fica aquém dos tempos áureos de Quem Vai Ficar com Mary, satisfazendo aqueles menos exigentes por um estilo de comédia romântica já consagrado.
Hoje nas Salas:

Cinemark - Cinemark 4 ( 372 lugares)
14:00; 16:30; 19:00; 21:30